
Existe um tipo de pressão que nenhum briefing consegue capturar completamente.
É a pressão de saber que o produto que você está construindo vai passar por um escrutínio de due diligence. Que investidores, advogados e executivos vão examinar cada detalhe da arquitetura, da experiência do usuário e da capacidade de escala. Que um produto frágil pode comprometer não só a operação atual — mas uma negociação inteira.
Foi exatamente esse o contexto em que a Capyba trabalhou com a TI Saúde no desenvolvimento do app Viva Saúde.
A TI Saúde foi fundada em Recife, no Porto Digital, pelos irmãos Fred, Flávio e Fábio Rabelo — um engenheiro de sistemas, um advogado e um médico. Desde o início, a missão era clara: usar tecnologia para levar saúde de qualidade a quem depende do sistema público.
Em poucos anos, a empresa se tornou a maior plataforma de gestão e relacionamento de saúde do Brasil. Mais de 10 mil profissionais de saúde usando os sistemas. Mais de 5 milhões de pacientes ativos. Mais de 11 milhões de prontuários e prescrições eletrônicas. Incubada pelo Eretz.bio do Hospital Albert Einstein, acelerada pelo Cubo Itaú, certificada pelo Endeavor.
O negócio cresceu rápido — e com a pandemia, a demanda por telemedicina explodiu. A TI Saúde estava no lugar certo, com a tecnologia certa, na hora certa.
Só que crescer rápido tem um custo. E quando o Grupo DPSP — maior empresa de capital fechado do setor farmacêutico no Brasil, dono das Drogarias Pacheco e São Paulo, com mais de 1.300 lojas e faturamento superior a R$ 1 bilhão por mês — começou a olhar para a TI Saúde como potencial aquisição, ficou evidente que o produto precisava estar à altura da ambição.
O plano do DPSP não era pequeno. A ideia era transformar a TI Saúde no núcleo de um ecossistema de saúde digital — batizado de Viva Saúde — conectando médicos, laboratórios, planos de saúde, hospitais e farmácias em uma única plataforma. Uma espécie de "open health", nos moldes do open banking.
O investimento projetado: mais de R$ 500 milhões.
A meta em cinco anos: 10 milhões de clientes conectados e 150 mil médicos na plataforma.
Para que esse plano funcionasse, o app que chegaria às mãos do DPSP precisava ser mais do que funcional. Precisava ser escalável, seguro, com baixa dívida técnica, e com uma experiência de usuário à altura de um produto que estava prestes a entrar em uma das maiores operações do setor de saúde no país.
É aqui que a Capyba entra.
Um dos maiores desafios desse projeto foi invisível para quem olhava de fora: a Capyba precisava construir um produto que funcionasse muito bem para dois públicos completamente diferentes.
O primeiro público era o usuário final. Milhões de pessoas usando o app para agendar consultas médicas, entrar em teleconsultas, acessar prescrições e acompanhar sua saúde. Para eles, cada tela precisava ser simples, clara e confiável. Especialmente porque, quando alguém está marcando uma consulta médica, qualquer atrito se transforma em frustração — e abandono.
O segundo público era o adquirente. Executivos e times de tecnologia do DPSP que iam examinar o produto com outro tipo de olhar: arquitetura da solução, capacidade de manutenção futura, coerência de design system, performance sob escala. Um produto bonito que funciona para 50 mil usuários pode desmoronar para 5 milhões. E eles sabiam disso.
Equilibrar esses dois públicos exigiu decisões que foram além do design ou do código. Exigiram visão de produto.
A Capyba assumiu o design e o desenvolvimento completo do aplicativo Viva Saúde — da identidade visual ao código em produção.
No design, o trabalho começou por onde precisava: entendendo a jornada do paciente de ponta a ponta. O app existente carregava inconsistências que eram o retrato natural de um produto que cresceu rápido — telas construídas em momentos diferentes, por times diferentes, sem um fio condutor único. O redesign não foi uma questão estética. Foi uma questão de credibilidade.

O escopo cobriu todos os fluxos críticos da jornada do paciente:
Cada tela foi pensada com um princípio em mente: saúde não perdoa confusão. O usuário que não sabe o que fazer no meio de um fluxo de agendamento não tenta de novo. Ele liga para o consultório. E isso derrota o propósito inteiro do produto.
No desenvolvimento, a escolha foi Flutter — uma única base de código para iOS e Android, com performance próxima ao nativo. Uma decisão técnica com impacto de negócio direto: para um adquirente que vai herdar o produto e continuar desenvolvendo, uma stack unificada significa menos custo de manutenção, menos fricção para onboarding de novos times e mais agilidade para lançar novas versões.
O Grupo DPSP completou a aquisição da TI Saúde. E o Viva Saúde tornou-se o coração tecnológico do maior ecossistema figital de saúde em construção no Brasil.
Depois da aquisição, a plataforma firmou parcerias com Porto Seguros, Unimed Seguros, Hospital do Câncer de Pernambuco, Hospital das Clínicas de Pernambuco e a Prefeitura de Niterói — que passaram a usar o Viva Saúde como ferramenta oficial de atendimento. Com mais de 28 mil profissionais de saúde cadastrados, o produto seguiu crescendo sob a gestão do novo grupo.
Nenhuma dessas parcerias acontece com um produto frágil.
O CEO da TI Saúde avaliou o trabalho da Capyba publicamente no Clutch, destacando segurança, performance e visão de longo prazo como os pilares da entrega.
Projetos de tecnologia em saúde têm uma complexidade específica que poucos setores têm: o usuário está, literalmente, tomando decisões sobre a própria saúde. Isso muda o nível de responsabilidade de quem constrói o produto.
Um app que trava no meio de uma teleconsulta não é só uma experiência ruim. É um paciente que não recebeu atendimento.
Uma prescrição que não aparece no histórico não é só um bug. É um dado de saúde perdido.
Uma interface confusa no fluxo de agendamento não é só um problema de UX. É uma barreira de acesso à saúde para alguém que já tinha dificuldade de chegar até aqui.
A Capyba entende isso. E é por isso que projetos como o Viva Saúde existem do jeito que existem: construídos com o cuidado técnico que o contexto exige, e com a visão de produto que o crescimento vai demandar.
Se você está desenvolvendo um produto de saúde digital — seja um app de telemedicina, uma plataforma de gestão clínica ou qualquer solução que conecte pacientes a serviços de saúde — a pergunta que você precisa fazer não é "quem consegue entregar mais rápido?".
A pergunta é: quem entende o que acontece quando o produto falha?
TI Saúde — healthtech pernambucana fundada no Porto Digital, Recife. Adquirida pelo Grupo DPSP em 2022. Hoje opera como plataforma Viva Saúde, ecossistema de saúde digital com presença em todo o Brasil.